Aquela árvore se sentia feia e por isso era muito rabugenta.

Vivia em uma floresta lamacenta, onde o sol pouco entrava.
Ela olhava para suas raízes toscas e seu corpo sem folhas ou flores e se dava a reclamar de tudo.

Até que um dia uma fadinha que estava voando por ali a viu resmungando e resolveu pousar para conversar com ela.

-Qual o seu problema, Dona Árvore? Por que a senhora fica aí reclamando e enraivecida de tudo?

E a árvore: - Olhe para mim e saberás, pequena fada. Sou magra, feia, enrugada, sem vida e não nasce uma folha em mim, que dirá uma flor. Ah, quem me dera eu fizesse nascer uma flor em meus galhos retorcidos!!

Logo a fadinha ficou sabendo do real problema daquela árvore centenária. Pensou um pouco e...

- Dona árvore, olhe para esses cogumelos lindos que nasceram de ti. Grandes, super coloridos e que dão comida a vários insetos e um abrigo da chuva. Lá do alto eu os vi de tão formosos e coloridos que eram. Olhe em sua volta. Vê mais algum igual a esses??

A Dona árvore retorceu o seu tronco para olhar em volta. Olhou pra cá, olhou pra lá e nada. Só ela possuía cogumelos tão coloridos e grandes como aqueles.

Então a fadinha completou:

- Dona árvore, muitas das vezes queremos o que não está ao nosso alcance no momento ou em algumas vezes, nunca teremos e ficamos tristes ao invés de nos alegrarmos com as pequenas maravilhas que nos cercam. São elas, por menores que sejam que nos trazem a verdadeira alegria, simplesmente porque são verdadeiras e em alguns casos são com elas que podemos ajudar aos outros a se sentirem um pouco mais felizes.

A Dona árvore olhou para os grandes e formosos cogumelos coloridos que haviam nascido dela e depois de muitos anos sem rir deu uma gargalhada que foi ouvida até mesmo nas aldeias vizinhas ao pântano.

A fadinha voou e nunca mais apareceu. Anjos existem...

Moral da história: O que importa é o bom perfume que somos e não o tamanho ou a beleza dos frascos.

(Celso Mathias)


Técnica: Aquarela